Neoconservadorismo, precisamos ficar atentos!

Por Prof. Condini

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Quero falar um pouco com vocês sobre o neoconservadorismo que assola o nosso país nos últimos anos. É preciso ficarmos atentos as falas, posturas e práticas de governantes e lideranças formadores de opinião, que de maneira as vezes até desaforada se utilizam de explicações e terminologias nefastas ao se referir não só a momentos históricos significativos da nossa história, bem como a desqualificação de personagens da mesma que tiveram papéis relevantes no desenvolvimento e transformação da sociedade brasileira.

No Brasil, a extrema-direita e a direita neoconservadora lutam contra o comunismo e o antagonismo às minorias, num país onde nunca tivemos um governo comunista, ou mesmo esteve sob a ameaça efetiva de um levante genuinamente socialista ou algo próximo do que poderíamos chamar de revolucionário. Mesmo assim, ressuscitam o discurso da necessidade de combater os “ativismos”, que teriam hegemonizado as universidades por meio do “marxismo cultural” que seriam responsáveis pela degradação dos valores da verdadeira nação brasileira. O seu nacionalismo populista é neoliberal e cosmopolita, pretendendo preterir as indústrias, o emprego nacional e uma educação libertadora, pelo regresso as relações econômicas norte-sul, por uma prática educacional bancária e um papel de clara subserviência aos interesses estadunidenses. O neoconservadorismo está aí com suas características de ultraliberal, neopentecostal, homofóbico, racista, sexista, reacionário e militarista, aspectos esses presentes na estrutura governamental brasileira.

Soma-se a tudo isso uma herança histórica escravocrata e escravagista de mais de trezentos e cinquenta anos, como diz o sociólogo Jessé Souza, “a escravidão foi o nosso berço”. Isso se confirma diante dos fatos pelo qual estamos passando nos tempos atuais. Por isso, é muito tênue o que nos separa socialmente falando no que tange as relações sociais democráticas e as relações conservadoras quando se trata de direitos humanos, direitos sociais e diretos trabalhistas neste país. Historicamente fomos forjados sobre a égide da metrópole, do donatário, do capitão do mato, do “coronel” latifundiário e do empresariado urbano. O interesse dos que sempre estiveram no comando político e econômico foi o que prevaleceu no decorrer da nossa história. Isso não significa que nesses quinhentos anos não houve luta e resistência por parte das camadas de excluídos da nossa sociedade. Esses excluídos ou esfarrapados da nossa sociedade lutam até hoje pela sua liberdade e dignidade humana, mas continuam sendo vistos pelas elites, agrária e urbana como baderneiros e desqualificados.

Diante desses fatos, nunca foi tão verdadeira a frase escrita pelo abolicionista Joaquim Nabuco em seu livro “Minha formação” no final do século XIX, “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.”. Essa frase elucida o neoconservadorismo que se prolifera em nossa sociedade.

Por isso, vejo com muita preocupação esse processo neoconservador que se alastra pela nossa sociedade. É histórica a luta que tivemos neste país para restaurar a democracia, após os vinte e um anos de ditadura militar, foi um processo complexo, difícil para ser consolidado. Uma nova constituição foi promulgada em 1988, em 1998 a primeira eleição presidencial após vinte nove anos, conquistas sociais importantes foram alcançadas nos últimos trinta e cinco anos.

Agora, deixar com que todas essas conquistas sejam desqualificadas ou mesmo extintas, seria uma perda irreparável para a nossa sociedade, por isso, vamos ficar atentos e resistentes a essa fala e práticas neocaneoconservadoras que vem ocupando tantos espaços na nossa sociedade.

Para concluir, é de extrema importância que percebamos que essas práticas neoconservadoras servem de combustível para que a democracia vá perdendo credibilidade e importância perante a sociedade, isto significa, perdermos a liberdade de poder decidir o nosso futuro e o futuro da nação por meio do voto e da autonomia de escolher quem irá governar.

Não podemos perder esta tão valiosa conquista.

Sobre o Autor

Professor Condini

PROF. CONDINI
Professor e Palestrante