“Capetalismo” em tempo de Coronavírus

Por Prof. Condini

Artigo_Capetalismo em tempo de Coronavírus

A pandemia do coronavírus nos oportuniza, olhar para o sistema no qual estamos inseridos há mais de duzentos anos com mais profundidade, atenção e criticidade. É chegado o momento de analisarmos e refletirmos sobre a maneira que produzimos, consumismo e nos relacionamos com a natureza. Não é possível vivermos mais nessa engrenagem nauseabunda do “capetalismo selvagem”.

Já passou da hora de se questionar as práxis do “capetalismo selvagem”, a acumulação acima de tudo, a competição a qualquer preço, o individualismo exacerbado, a indiferença diante da injustiça, da fome, da miséria e de tantas outras mazelas sociais que emolduram este quadro tão mal pintado por seu protagonistas, os capetalistas e seus sórdidos interesses.

Todos esses aspectos somados a pandemia do coronavírus, que deixou a todos perplexos, espantados e com medo, porque sabemos que todos nós seremos prejudicados de alguma maneira, muitos com a perda da própria vida. E a pergunta que paira em nossa cabeça, a quem se vai recorrer neste momento caustico? Quem poderá fazer algo para frear essa pandemia? Quem terá condições de impedir que menos pessoas percam a vida? Quem proverá de recursos uma sociedade confinada que precisa se alimentar? Trabalhar? Pagar o aluguel? Quem irá possibilitar que a economia se restabeleça após meses de estagnação produtiva?

Não poderemos recorrer àquele empresário, por exemplo, que afirmou: “o Brasil não pode parar por conta da morte de 5 ou 7 mil pessoas” ou com o mandatário do nosso país “propôs que os trabalhadores tenham seu contrato de trabalho interrompido por quatro meses” e “que as crianças podem voltar para a escola, afinal de contas essa pandemia é uma simples gripezinha”.

Quem poderá amenizar esse “mal-estar civilizatório” não será a iniciativa privada, que está mais preocupada com a drástica desvalorização das bolsas de valores pelo mundo. Lembram-se da crise de 1929? Quem iniciou a recuperação econômica e social nos países afetados foi o Estado. Isso mesmo, o Estado com suas políticas públicas e sanitárias gerais. Esse Estado sempre tão desqualificado pelo “mercado liberal”, mas que reúne as condições humanas para enfrentar a pandemia e econômica para reaquecer a economia.

Após este surto diminuir sua intensidade e os cidadãos retomarem suas vidas, muitas sequelas serão deixadas, e por isso, uma nova maneira de organização econômica e social, defendidas não só por mim, mas milhares de cidadãos brasileiros que acreditam veemente no bem social coletivo, precisará ser elaborada e praticada pelas novas gerações.

Se quisermos ter uma sociedade sã e com dignidade, uma profunda transformação no modo de vida das pessoas terá que acontecer. Os humanos merecem viver com dignidade e respeito.

É chegado o momento dos defensores do neoliberalismo econômico e do Estado mínimo perceberem que numa situação de pandemia como essa o papel do Estado é fundamental. Alguns já perceberam, como o presidente da França. Ele disse: “Caros compatriotas, precisamos amanhã tirar lições do momento que atravessamos, questionar o modelo de desenvolvimento que nosso mundo escolheu há décadas e que mostra suas falhas à luz do dia, questionar as fraquezas de nossas democracias. O que revela esta pandemia é que a saúde gratuita sem condições de renda, de história pessoal ou profissão, e nosso Estado-de Bem-Estar Social não são custos ou encargos, mas bens preciosos, vantagens indispensáveis quando o destino bate à porta. O que esta pandemia revela é que existem bens e serviços que devem ficar fora das leis do mercado”.

Esta fala do presidente da França é reveladora, pois ele reconhece que a economia de mercado e sua política neoliberalizante são maléficas a humanidade e ao futuro do nosso planetinha.

A jornalista e ativista canadense Naomi Klein, salientou “O coronavírus é o perfeito desastre pra o capitalismo do desastre”. Um vírus provocou o caos no mercado financeiro e no sistema especulativo. Como disse Leonardo Boff “esta pandemia não pode ser combatida apenas por meios econômicos e sanitários sempre indispensáveis. Ela demanda outra relação para com a natureza e a Terra. Se após passar a crise, não fizermos as mudanças necessárias, na próxima vez poderá ser a última, pois nós fazemos os inimigos figadais da Terra. Ela pode não nos querer mais aqui”.

Enfim, o que nos resta nesse momento caustico de pânico e incertezas é ficar atento as verdadeiras informações e ao que dizem os especialistas da área da saúde. Que saibamos utilizar a nossa razão e cordialidade superarmos as indiferenças. Nenhum de nós está imune do vírus. Todos terão que ser solidários uns para com os outros, cuidarmo-nos pessoalmente, assim já estaremos cuidando do outro.

Ninguém deverá soltar a mão de ninguém, mesmo não podendo segurá-las!!

Sobre o Autor

Professor Condini

PROF. CONDINI
Professor e Palestrante